A ilusão que nos cerca dentro desta caverna

Joka Faria

Luzes, céu, colorido... um universo diante

de olhares abismados...

Ela não sentiu sua desmaterialização.

Era uma tarde de quarta-feira...

E a vida transcorria normalmente...

E tudo começou a ruir... os pilares dimensionais...

Tudo se dissolvendo...

E cá estamos de novo aqui em nossas rotinas...

Até quando? Quando?

Me diga... me diga...

toda esta rotina...

nascer, crescer, morrer?

Você não percebe nada estranho nisso?

Ir e vir com estas explicações pífias, escolas, religiões,

o desejo da família?

A mulher trans declarava sua liberdade no Instagram...

Nunca aceitara o que era?

Uma bíblia debaixo do braço, e o culto achava

tudo mentira...

Um nome masculino de batismo... E agora,

ela feliz com seus cães, vivendo numa periferia.

Será que ela nunca percebeu a dimensão em colapso?

Tantas ilusões, não negue. As bruxas existem, enormes

em suas vassouras... Sofia Isella com suas performances,

sua poética... E ela viu tudo ruir... e não sai por aí a contar

nas ruas e nas redes sociais, seria descrita como

insana...

E nosso desejo de sucesso nesta farsa que em breve deixaremos

com nossa morte?

E o corvo gritava a ele: nunca mais, nunca mais...

Quantos mistérios, e nós diante das eleições

que podem manter a democracia ou perdê-la?

E os homens aprisionados a uma calça e uma camisa, e lhes é negada,

em nome do patriarcado, a liberdade criativa que as mulheres têm.

Que sociedade vigiada e controlada, com suas câmeras, redes sociais. Ah, nos achamos livres e não somos, a rotina nos consome

diariamente... e onde anda a esperança?

Luzes, céu, colorido... um universo diante

de olhares abismados...

Ela não sentiu sua desmaterialização.

Era uma tarde de quarta-feira...

João Carlos Faria

13 de setembro de 2026, domingo.

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