Uma canção para o filme que ainda não fizemos Manhã de inverno. Por onde andam os deuses? Dia frio e chuvoso. Eu aqui, nesta existência que um dia se findará. Mas de onde realmente somos? Tudo parece um interminável sonho. Viver é para os desavisados? Não paramos de pensar. Existir. Existir. Não procurei as notícias de política. Vou ouvir "Vapor Barato", de Jards e Waly. Em que século foi composta esta canção? Como dá vontade de criar uma história para ela. Canções. Jards, Raul, Tom. Nossas canções. E onde se esconde o novo? O que decifra o século XXI? Ah, este novo. Vamos juntos criar um roteiro? Um filme que nos diga o que deve ser dito nestes estranhos dias de conservadorismo. Vamos dançar na chuva fria de inverno? Vou pegar aquele velho navio. Joka Faria Inverno de 2026
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Leituras de cabeceira enquanto ainda respiro Dez e oito da noite. Ou 22 horas e 8 minutos. Comecei um hábito estranho: ler um livro à noite. Sei que minha vista embaralha as palavras, mas um amigo diz que é necessário. Estou lendo um livro sobre o luto. Sim, o luto. Depois é Nunca , de Fabrício Carpinejar. Devo tê-lo ganhado do Mazola. Mazola é um descobridor de palavras. Garimpa livros em sebos. Mora em algum lugar da Zona Sul de São José dos Campos. Raramente o vejo. Uma figura rodeada de palavras. Leitor voraz. Não escreve livros, mas escreve na vida. Um bom amigo ocasional. Ler é um caminho solitário que as redes sociais não substituem. Hoje vi discos voadores voando e entrando em vulcões. Espalhei o vídeo. Mas todos são incrédulos. Nem imagino o que Mazola dirá. Mas temos mesmo que falar sobre tudo? Se nunca sabemos nada. Como é estranha a rotina. Será mesmo que somos humanos? Ou uma simulação de IA? Joka Faria Inverno de 2026 Lendo dez páginas por dia....
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Canção do Pássaro sem Asas Joka Faria Eu era um pássaro e vivia livre nos ares. Mas Cortella dizia que não somos livres. Eu já fui humano em inúmeras vidas, na tal Roda de Sansara, umas vezes nascendo mulher e outras, homem. Mas um dia tentei fugir, no astral. Samael havia me dado dicas. E fugi. Não entrava nas cavernas na hora dos trovões. E fui achado por uns magos, que me transformaram em urubu. E nasci, mas lembrando de minhas existências humanas. Um dia, num acidente, perdi uma das asas numa torre de alta tensão. Fui resgatado por uma menina, que me adotou. Levou-me para sua casa, perto de um imenso rio, e ali sobrevivi. Sempre pensei na possibilidade da inexistência. Que um tal Marcelo falava. Mas, sem voar, sem me comunicar com quem um dia fui no caso humano, viver sem voar é estranho. Voltei a recordar das Plêiades. Mas como escapar desta prisão? Não sei. Aguardo o fim, mas me divirto com ela num rio. Liberdade? Quem realmente sabe o que é? Quem dera um dia ser um golfinh...
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Últimas tardes de outono Ele vai caminhando solitariamente entre as brumas. E o inverno vem entre nuvens e raios de sol, chegando vagarosamente no que chamamos domingo. Enquanto a primavera adormece em um lugar distante, vai-se o outono. E nós também vamos nos despedindo no vagaroso caminhar do tempo. Um dia, quem sabe, seremos apenas memórias. Joka Faria Outono de 2026
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Canção a Edu Planchêz numa das últimas noites de outono Junho de 2026 És um Pollock da poesia. Rei Lagarto da poesia insana das manhãs dilacerantes. Tua poesia respira vida. Eu, um súdito de um poeta visceral. Rei Lagarto. Presidente das donas-mariposas. Conversador dos jacarés encantados de Jacarepaguá. Insano sacerdote do kaos. És Edu Planchêz, do clã Planchêz. Seres-árvores, disfarçados de humanos. Joka Faria Centurião do LITTER. Raiz da poesia das noites e dos dias. Viajante de um universo-oceano. Filho das Plêiades, ainda adormecido nesta prisão que chamam de vida.