Canção do Pássaro sem Asas Joka Faria Eu era um pássaro e vivia livre nos ares. Mas Cortella dizia que não somos livres. Eu já fui humano em inúmeras vidas, na tal Roda de Sansara, umas vezes nascendo mulher e outras, homem. Mas um dia tentei fugir, no astral. Samael havia me dado dicas. E fugi. Não entrava nas cavernas na hora dos trovões. E fui achado por uns magos, que me transformaram em urubu. E nasci, mas lembrando de minhas existências humanas. Um dia, num acidente, perdi uma das asas numa torre de alta tensão. Fui resgatado por uma menina, que me adotou. Levou-me para sua casa, perto de um imenso rio, e ali sobrevivi. Sempre pensei na possibilidade da inexistência. Que um tal Marcelo falava. Mas, sem voar, sem me comunicar com quem um dia fui no caso humano, viver sem voar é estranho. Voltei a recordar das Plêiades. Mas como escapar desta prisão? Não sei. Aguardo o fim, mas me divirto com ela num rio. Liberdade? Quem realmente sabe o que é? Quem dera um dia ser um golfinh...
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Últimas tardes de outono Ele vai caminhando solitariamente entre as brumas. E o inverno vem entre nuvens e raios de sol, chegando vagarosamente no que chamamos domingo. Enquanto a primavera adormece em um lugar distante, vai-se o outono. E nós também vamos nos despedindo no vagaroso caminhar do tempo. Um dia, quem sabe, seremos apenas memórias. Joka Faria Outono de 2026
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Canção a Edu Planchêz numa das últimas noites de outono Junho de 2026 És um Pollock da poesia. Rei Lagarto da poesia insana das manhãs dilacerantes. Tua poesia respira vida. Eu, um súdito de um poeta visceral. Rei Lagarto. Presidente das donas-mariposas. Conversador dos jacarés encantados de Jacarepaguá. Insano sacerdote do kaos. És Edu Planchêz, do clã Planchêz. Seres-árvores, disfarçados de humanos. Joka Faria Centurião do LITTER. Raiz da poesia das noites e dos dias. Viajante de um universo-oceano. Filho das Plêiades, ainda adormecido nesta prisão que chamam de vida.
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Uma civilização que deixou de lado as utopias Joka Faria, professor João Domingo. Quem sabe amanhã já seja sexta. E devemos ser felizes nas segundas-feiras. Pois os desafios estão aí, na vida cotidiana. Espero que seja aprovada a redução da jornada de trabalho. Há muito tempo fui do comércio. E já enfrentei jornadas de trabalho das seis da manhã às vinte e duas horas. Já soube o que é ficar com fome no trabalho. Já organizei greves desde sempre. E sei o peso social e as cobranças que é ficar desempregado. Mas o que sempre me manteve de pé foi a leitura e as artes. As religiões, para mim, nunca passaram de prisões mentais. Já li um livro sagrado três vezes. Como é feita uma lavagem cerebral em nós desde a infância. E tentam a todo momento. Mas livros, música, artes e cinema nos trazem reflexão. Tive ótimos professores. Tem um que íamos até perto da casa dele. E ele me explicava tudo sobre os movimentos sociais. Revoluções. Acho a escola atual bem defasada em relação às necessidades...
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A vida é um atravessar do barco de Caronte? Joka Faria Como é um desafio, na atualidade, achar um bom momento para ler um livro... Estou empacado com Casa-Grande & Senzala e ainda coloquei um livro, de Fabrício Carpinejar, Depois de Nunca ... Ler é tudo e mais um pouquinho... Estou com muitas inquietações... Numa meditação que me veio, imagens sombrias. E fiz a pesquisa: é normal estas provocações... Um feriado que se vai, quatro dias. Quase sem máscaras sociais... Só com nossas inquietações, muitas vezes sombrias. Somos bem e mal em danças... Epa, pintou um Raul Seixas aí... Quem somos, que nascemos e morremos? A vida é um atravessar do barco de Caronte? Caronte e nós, sem nenhuma moeda. Só usamos cartões... Mas o Hades deve ser moderno... Altos cassinos... Nunca tinha lido esta imagem que criei... Hoje passava Matrix na TV. Não vi... Um frango assado num supermercado... Mais supermercados que farmácias... E espaços de reflexões? Tem hora que dá a impressão de que o c...
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A heterossexualidade em dias de debates sobre gêneros Perder peso é uma obsessão nos dias atuais. Mas a vida é ganho e perda, numa sociedade competitiva. Imagine se um dia acontecesse de as pessoas quererem mudar de sexo? Sim! Dias destes, eu vi uma Luna numa entrevista no Instagram. Era uma mulher trans. Mas não vemos um debate sobre mudanças de hábitos no universo hetero. O patriarcado está firme e forte nas decisões de poder nos senados e câmaras. Alguém me falava do cinismo do povo em eleger representantes das oligarquias. Enquanto isso, está para chegar um tal Super El Niño. E deixamos de debater uma educação que seja a realidade do século XXI. Vejo uma remixagem das tradições dos anos 80 na escola pública. Nicodelis falou, num podcast, sobre uma realidade diferente em um projeto de educação. Cultura, arte e educação devem estar juntas em espaços além das escolas. Mas como entender este atual momento de Marchas para Jesus e Paradas LGBTQIA+? Mas estas multidões ...