Leituras de cabeceira enquanto ainda respiro

Dez e oito da noite. Ou 22 horas e 8 minutos.

Comecei um hábito estranho: ler um livro à noite. Sei que minha vista embaralha as palavras, mas um amigo diz que é necessário.

Estou lendo um livro sobre o luto. Sim, o luto. Depois é Nunca, de Fabrício Carpinejar.

Devo tê-lo ganhado do Mazola.

Mazola é um descobridor de palavras. Garimpa livros em sebos. Mora em algum lugar da Zona Sul de São José dos Campos.

Raramente o vejo.

Uma figura rodeada de palavras. Leitor voraz.

Não escreve livros, mas escreve na vida.

Um bom amigo ocasional.

Ler é um caminho solitário que as redes sociais não substituem.

Hoje vi discos voadores voando e entrando em vulcões.

Espalhei o vídeo.

Mas todos são incrédulos.

Nem imagino o que Mazola dirá.

Mas temos mesmo que falar sobre tudo?

Se nunca sabemos nada.

Como é estranha a rotina.

Será mesmo que somos humanos?

Ou uma simulação de IA?

Joka Faria

Inverno de 2026

Lendo dez páginas por dia.

Enquanto ainda respiro.

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