Uma civilização que deixou de lado as utopias

Joka Faria, professor João

Domingo. Quem sabe amanhã já seja sexta. E devemos ser felizes nas segundas-feiras. Pois os desafios estão aí, na vida cotidiana. Espero que seja aprovada a redução da jornada de trabalho. Há muito tempo fui do comércio. E já enfrentei jornadas de trabalho das seis da manhã às vinte e duas horas. Já soube o que é ficar com fome no trabalho. Já organizei greves desde sempre. E sei o peso social e as cobranças que é ficar desempregado. Mas o que sempre me manteve de pé foi a leitura e as artes. As religiões, para mim, nunca passaram de prisões mentais. Já li um livro sagrado três vezes. Como é feita uma lavagem cerebral em nós desde a infância. E tentam a todo momento. Mas livros, música, artes e cinema nos trazem reflexão.

Tive ótimos professores. Tem um que íamos até perto da casa dele. E ele me explicava tudo sobre os movimentos sociais. Revoluções. Acho a escola atual bem defasada em relação às necessidades das novas gerações. Uma cobrança que nunca se encerra de provas e avaliações. Uma inclusão sem uma infraestrutura adequada de professores e profissionais de várias áreas. As faculdades a distância sempre deixam a desejar. Já os cursinhos preparatórios dão uma boa formação, mesmo em modo a distância.

Não vemos surgir movimentos de pais e professores por uma escola com práticas de acordo com as inovações tecnológicas. Organizar a sociedade onde as pessoas têm a tarefa diária de sobreviver e não viver. Uma civilização que deixou de lado as utopias. E vive as agruras do dia a dia. As esquerdas perdem a mão e não alcançam os corações. Sem propostas que mobilizem o povo, com exceção da redução da jornada de trabalho. Mas, mesmo assim, sem um movimento nas ruas. A extrema direita, com suas pautas desumanas e ridículas, mobiliza uma parcela de seres humanos cruéis.

Como entender este roteiro de caos? Planejado pelas elites. E como reagir e propor estratégias que realmente tragam avanços sociais?

Temos um Congresso em que a maioria só trabalha pelos interesses econômicos das grandes empresas e dos ruralistas. Pautas morais que não trazem nada de novo. Enquanto isso, jovens são discriminados no metrô por demonstrarem carinho e afeto, sendo LGBT ou não. O amor causa estranheza.

E seguimos em frente. Com a utopia da criação de coletivos que busquem criar espaços sociais nas periferias das cidades brasileiras.

João Carlos Faria

14 de junho de 2026, domingo.
Copa do Mundo.
Dá-lhe, Brasil.




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