Neblina cheia de mistérios

Que venha o sono. O sonho que não me apavore
nestes dias de névoa, a neblina de cada manhã.
A neblina que me traz a velha sinusite,
mas que me permite o sono da tarde ao cair
da chuva.

Sono depois de um dia trabalhado.
Mas qual o sentido de tudo?
Na névoa das verdadeiras manhãs de outono?

E as cidades. A minha tem a miragem de um oceano
e perigosos portais de dimensões...
A névoa que os abre?

Há dias de outono... La Niña, El Niño...
Crises climáticas... poluição?

E nós aqui, a contemplar a neblina
no ir e vir das rotinas, enquanto a vida
simplesmente passa.

Joka Faria

Maio de 2026, outono.







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