Reflexões sobre as artes nas periferias

Joka Faria

Estou com uma fixação, há muitos dias, com a questão das artes conceituais. Tenho conversado com Selmer. Gostaria deste diálogo num espaço maior. Sou apaixonado pelas artes de rua, um palco onde me sinto TODO. Como o uso da escrita e de vídeos que venho fazendo há anos. Em minha maturidade, gosto de participar de algum coletivo. São poucas as pessoas que pensam em usar a arte como transformação social.

Como professor, sinto-me emprestado à educação. Tenho a frustração de ainda não ter criado espaços. Entender estes conturbados dias é um desafio: IA, ruas, tiros na América do Norte, Sul Global, Brics, educação inclusiva? Mas, de fato, inclui?

Ontem eu falava de Pacheco, da Escola da Ponte, nas conversas informais no Bola de Meia, único espaço físico, na atualidade, em São José, para se refletir. A livraria Mantiqueira ainda não tem tradição, vai conquistar espaços. O Armazém do Campo eu preciso frequentar. Criar, criar soluções, fazer gerar renda para o povo sofrido das artes? Não podemos só depender de editais excludentes para fazer artes. Por isso uso as redes sociais. Eu quero nossa liberdade financeira enquanto criadores de arte.

Mas e linguagens como Dailor Varella, José Moraes Barbosa e, na atualidade, Fernando Selmer, Eliete Santos? Romper os parâmetros? Ir além da mera sobrevivência.

Hoje, em São José, no distrito de São Francisco Xavier, temos a presença do escritor e produtor Marcelino Freire, um agente nacional nas artes atuais. As periferias clamam por ARTE, por vida. E as escolas fechadas aos finais de semana e feriados e, pasmem, as Casas de Cultura. Cabe pensarmos soluções na política, na economia.

A vida pulsa nas periferias... Shoppings chegando, como um ao lado do Atacadão, próximo à Vila Industrial, Monte Castelo. E nem uma lei para incentivar espaços de artes, cultura nestes locais? Só o consumo sem reflexão? Quem somos como seres pensantes, se não aprofundarmos na cidade?

Criei inúmeros grupos de WhatsApp. A sociedade cercada por debates histéricos identitários. E nós aqui sem praças a serem ocupadas? A feira do Colonial pulsa vida, assim como o parque Vicentina Aranha. Mas que incentivo esta feira tem dos poderes públicos e empresas? Que eu saiba, nenhum. E todos ali no Colonial pagam impostos.

Mas e aí, quando faremos um encontro presencial para debatermos estas questões?

João Carlos Faria
Abril de 2026, domingo.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog