Ela, um outro eu?

Tenho um heterônimo feminino.

Mas o Google cismou em pedir a identidade.

Mas que identidade eu posso fornecer?

Ela corre um risco...

Mas hei de achar alguma estratégia para mantê-la viva.

Eu, tão Fernando Pessoa em minha ousadia.

Criar outras vozes, mas sou escritor.

E minha imaginação pode tudo?

Ou quase tudo.

Ser a menina...

a mulher.

A velha...

Viver é desventura ou aventura?

Se podemos criar vidas que nunca existiram...

Ela é o eu não existente...

Ela já se perdeu no Instagram...

Mas hei de achar soluções.

Que pena que vocês nunca a leram...

Ficará só em sua imaginação...

Mas este eu plural existe.

Está aí num blog...

quem sabe páginas de livros...

Um eu que não sou e sou...

uma voz dissonante de tudo que escrevo, sem amarras.

Sem a moral de uma sociedade que não respira possibilidades.

Uma voz nunca perdida...

Afinal, quem somos?

Joka Faria

maio de 2026, domingo, 3.





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