Mas quem somos na era da Inteligência Artificial
Por João Carlos Faria
Tenho telhado de vidro no debate sobre o uso de IA na escrita. Uso, sim, ferramentas de IA para revisão de texto — inclusive o GPT. Esse debate cresce a cada dia e é necessário. Este texto, porém, estou escrevendo sem enviá-lo para correção automática.
Com a mão esquerda enfaixada e engessada — sendo eu canhoto — escrevo neste domingo de Carnaval. As ideias são sempre minhas. Ainda assim, vivemos tempos em que desconfiamos de tudo o que lemos e vemos nos meios digitais. Até grandes jornais nos enganam?
Acompanhei o debate no YouTube e cheguei a um texto lúcido e crítico de Paulo Ghiraldelli. Li também a defesa da colunista da Folha, Natália Beauty, e o texto de Paulo Markun.
E aqui, no Entrementes, escrevo. Essas IAs já fazem parte da nossa vida cotidiana, mas não passam de algoritmos sem vida. Mesmo assim, somos expostos a essa “magia”. O X (ex-Twitter) está repleto de vídeos que nos confundem — e que muitas vezes envio aos mais próximos para obter outros olhares.
Devemos voltar a escrever com canetas? Criar um código de ética? Um manual de redação? Cabe uma legislação internacional para o uso de IA nas redes sociais? A ONU torna-se fundamental nesse debate, enquanto a extrema direita nos EUA tenta esvaziá-la.
Esse debate é permanente, diário, e atravessa nossas consciências.
Escrevo desde a adolescência, nos anos 80. Comecei compondo músicas com um amigo. Cheguei à era digital com um livro publicado em 2008, dois CDs solo, blogs e o Entrementes desde 2009. Não me sinto menor nesta era das IAs.
Meus próximos livros, se vierem a ser publicados, terão revisão humana. O debate está posto — e não vamos fugir dele.
Caro leitor, se é que os tenho, peço sua opinião.
Quero saber o que pensa você, ser de carne e osso.
Joka Faria
Carnaval
15 de fevereiro de 2026 — domingo
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